Id. Média ( bizantino, românico e gótico )

Fiz esse trabalho e acho interessante compartilhar com os curiosos.

Idade Média

 O império bizantino (alta idade média) foi historicamente influenciado pela cultura helenística e romana. O cristianismo foi aceito como religião a partir do reinado de Constantino. A arte passou a ser utilizada a serviço de Deus e do imperador, para propaganda da  fé e exaltação da pessoa sagrada do governante. Para isso, os artistas seguiam certas regras ditadas pela Igreja – como representar o céu sempre dourado e as figuras sagradas de frente. O mais notável imperador bizantino foi Justiniano. Durante sua era, o Império experimentou o apogeu econômico, cultural, religioso e militar.

Em 400 d.C. foi o início do período bizantino na indumentária. As roupas sofreram uma transformação passiva (em relação à romana), ou seja, algumas mudaram quanto ao corte e outras mudaram em relação aos tecidos, que passaram a ser importados do oriente. As túnicas passaram a ter  as barras das mangas, bainha e abertura do pescoço decorados  – eram usados rubis e pedras preciosas, além do tecido brocado, que em sua maioria eram pintados à mão. Os bordados e encrustrações variavam de acordo com a hierarquia, desde nenhuma (classe baixa) à extremamente ornamentada (classe alta). Os trajes feminino e masculino tinham quase nenhuma diferença.

Não houve grandes mudanças na induméntária até o início do século XI.  No século X, os países europeus deixaram de ser ameaçados por invasões. O continente vivia agora a “paz medieval”, a qual ocasionou o renascimento das cidades e do comércio e o aumento populacional. Houve nessa época o início da bifurcação da indumentária masculina e feminina. No estilo românico, a roupa passou a ser mais modelada ao corpo. Devido aos cruzados, a Europa ocidental recebeu mais tecidos, tais como a seda, o veludo e o cetim e técnicas de tear mais avançadas vindos do oriente. Os vestidos femininos passaram a ter corpetes (nas classes mais altas), modelados e justos até os quadris, com amarrações nas costas e saias amplas até os pés, formando, as vezes, uma cauda. A cintura era ornamentada com ouro e jóias. Sobreposições de vestidos também eram muito comuns, com o debaixo mais justo e comprido e o de cima mais largo e curto, mostrando a barra do debaixo. As roupas masculinas se encurtaram.

O período gótico, final da Idade Média, foi marcado por diversas guerras, epidemias e surtos de fome que dizimaram a população da maioria dos países europeus. A silhueta que predominou foi verticalizada e magra, tal como representado na arquitetura. As mangas cresceram muito e ficaram muito amplas na altura dos punhos. Os homens usavam meias coloridas – às vezes uma perna diferente da outra. Usavam calções longos,  e o encurtamento da  túnica  deu origem ao Gibão. Com o tempo os calções foram encurtando deixando as pernas  cobertas pelas meias que ficaram bastante aparentes. Os sapatos de bico pontudo tornaram-se comuns e quanto maior  o grau de nobreza, maior o bico. Neste período a aristocracia  fabricava  suas roupas em alfaiates.

Bizâncio

Séculos V ao final do X

                As roupas  eram soltas no corpo e de corte simples. Eram ricas em variações de cor para os mais afortunados, mas a cor púrpura era destinada à realeza. Os tecidos usados eram  a seda, a  lã,  o algodão e o linho. Os bordados seguiam motivos religiosos, florais e até animais. Havia uma grande hierarquia traduzida nas vestes: quanto maior o prestígio de quem usava, mais a roupa era requintada e luxuosa. O traje básico (a túnica) era um manto de influência romana, porém as mangas eram compridas até os punhos. O corte da túnica era único para ambos os sexos e havia uma profusão no uso de broches e fivelas para fixação nos ombros.

Vestuário feminino: Túnica para as classes inferiores e, mulheres de classes altas, vestiam trajes rígidos como jóias. O decote era retangular ou oval, ricamente debruado de bordados com fios coloridos e aplicação de pérolas e pedras além de metais como ouro e prata. As cores  do vestuário feminino eram ricas, em tons de rosados (framboesa), azuis, amarelo e vermelho, além dos terrosos. Barras e bainhas muito decoradas utilizando variadas cores.

Vestuário  Masculino: As classes inferiores utilizavam as túnicas como peças cotidianas e  as classes mais altas, a usavam como roupa interna, para um dos vestuários mais ricos da história. Calções compridos eram usados por quase todos no período Bizantino. O comprimento variava, iam até os joelhos ou até a cintura, sendo duas meias cortadas no formato da perna e presas por fivelas ou por um cinto na cintura. Trabalhadores não usavam este acessório.

Túnica: Era uma derivação da antiga romana túnica talaris, ou túnica até os tornozelos. Elas eram justas na manga e soltas no corpo. O comprimento variava dos tornozelos até os joelhos, eram presas por um cinto fino em volta da cintura. A manga possui comprimentos variados de acordo com a classe do usuário e condições. As túnicas eram feitas de linho ou seda. Para as classes mais baixas, era a peça usual do dia-a-dia  – Variações de cores: vermelho, ocre, amarelo e laranja. Para as classes superiores, era como uma roupa de baixo (chemise) de linho branco. Eram tecidas individualmente e com aplicações de bordados feitos em tear. As cores mais encontradas nos ornamentos decorativos são: naturais, acobreados, marrom escuro e claro, amarelo, ouro, rosa, vermelho,  azul escuro, azul cobalto, turquesa, verde escuro e claro, amarelo esverdeado, laranja, coral, roxo e preto.

Estola: Era sobreveste (usada por cima da túnica), justa ao corpo e com amplas mangas ( antecessora das mangas-sino típicas da próxima era do período medieval) , que chegava ate os pés. Também chamada de  talaris dalmática. Era usada pelas classes superiores e pelas pessoas comuns, em ocasiões especiais.  A dalmática possuía uma forma em “T” com acabamentos bordados na bainha, abertura frontal do pescoço e nas mangas. A altura da túnica é regulada por um cinto ou faixa na cintura. As ornamentações e os medalhões eram feitos com bordados de tapeçaria, metais e incrustações de gemas e pedras preciosas, além das pérolas. Para as classes inferiores, era comum as decorações serem  feitas com sobras ou  retalhos dos bordados  requintados.

Capas e mantos: Usadas por cima da estola presas por um ombro de forma diagonal, ou preso aos dois ombros. Possuíam formatos semicirculares, sendo o manto um dos mais populares. O comprimento pendia na altura da coxa e era preso de forma diagonal no ombro direito. O tablion era uma barra decorativa utilizada para mostrar a posição social. Cada elemento da capa é debruado com pérolas e bordados em ouro.

Superhumeral: Pala ornamentada usada por cima da túnica, uma das peças mais relevantes do vestuário bizantino. Normalmente feito em ouro ou fios entrelaçados no tecido e decorado com pedras preciosas e/ou imensa quantidade de bordados. A decoração dividia-se em geral em compartimentos separados por linhas verticais. As bainhas eram feitas em pérolas de tamanhos variados, em até três linhas.

Sapatos: botas altas de couro e sapatos de tecido decorados com ricos bordados, muitos feitos de seda. Os trabalhadores costumavam trabalhar descalços ou usavam um tipo de sandália romana. Sendo marca do imperador os sapatos de cor vermelha ricamente decorado.

Alfreses (cinturão), cintos e cintas: Usados para apertar as vestes, em seda, linho, couros, metais com motivos a ouro e prata. Geralmente presas ao cinto, usavam-se as bolsas de pano ou lã, com cordões de retrós ou fitas e botões, as mais finas de veludo carmesim, decoradas a ouro e forradas com tafetá, eram utilizadas pelas classes mais altas. Serviam para guardar objetos do cotidiano. Os  tons eram: marrom, cinza, mel e preto. As colorações utilizadas provinham da fervura dos Flocos de lã e algodão com cascas de árvore, folhas, cascas de cebolas ou sumos.

Chapéus: Houve muito poucos estilos de chapéu para os homens. Turbantes de influência oriental, pequenos chapéus em forma de pirâmide. Mulheres casadas cobriam-se com véus e usavam os cabelos presos, enquato as jovens solteiras usavam tranças ou deixavam os cabelos soltos.

  Românico

Séculos XI ao início do XIII

As roupas passaram a delinear mais os corpos em relação ao período anterior, especialmente a parte superior dos vestidos femininos. A silheta da época era verticalizada e magra. As mangas cresceram muito e ficaram muito amplas na altura dos punhos (manga-sino).  O período foi marcado pelo aparecimento de um tipo de vestuário totalmente novo, nitidamente diferenciado segundo os sexos: curto e ajustado para o homem enquanto longo e justo para a mulher.

As peças da frente e de trás eram cortadas de acordo com o desenho do corpo . Para ficarem ajustadas, a parte de trás da roupa era dividida do decote  à cintura, de modo que as extremidades desse corte podiam ser ajustadas por cordões. Usados em geral sem cinto, esses trajes eram ornamentados com debruns ao redor da barra, nos punhos e, às vezes, no decote.

 

Vestuário Masculino: Túnica tipo camisa justa ao corpo, mais curta do que o período bizantino, influência da união dos povos durante as cruzadas. Usavam as capas presas por broches de forma diagonal. O capuz, antes parte da capa, tornou-se peça separada que descia até os ombros. As Botas longas e de cano alto eram usadas com meias de tamanhos variados, feitas de lã ou de linho no formato das pernas – justas no caso dos nobres e frouxa no caso dos camponeses.

Vestuário Feminino: Vestidos moldando o corpo, parte superior justa sobra o busto e com abotoamento lateral (gibão). Ampla saia caindo em pregas até os pés, formando, às vezes, uma cauda.  A Sobretúnica ou sobreveste, mais ajustada ao corpo, era feita com tecido diferente da túnica, e raramente tinha ornamentos, a não ser nos punhos e na parte superior do braço. As mangas  eram muito compridas e amplas no punho. A barra da saia dificilmente tinha guarnições. As mulheres de classe baixa, que não usavam sobreveste, decoravam a veste com uma larga faixa de debrum que ia da cintura à barra. Usavam sapatos levemente pontiagudos, gorros e longos chapéus cônicos com penteados femininos.  O uso de véus cobrindo todo o rosto ou a parte inferior deste, foi adotado da cultura muçulmana. Era usado somente pelas mulheres mais velhas e casadas.  Usava- se também  a barbette – faixa de linho passada sob o queixo e puxada sobre as têmporas – e o gorjal –  de linho ou seda, cobria o pescoço e parte do colo, sendo ás vezes, colocado para dentro do decote do vestido. As jovens, usavam os cabelos soltos, partidos em duas metades presas por fitas,  grinalda de flores ou pelo diadema cravejado de pedras preciosas, que por sua vez, logo deu lugar a outros adornos, como a coroa ou tiara.

Gótico

Final do século XIII ao início do século XV

Ao longo do século XIII os trajes franceses continuaram a desenvolver-se  e assumiram a liderança da moda em toda a Europa. Os modelos de roupa sofreram poucas alterações, mas teve destaque com  o uso da seda da classes privilegiadas até as pessoas mais comuns. Sobreveste ainda comprida, porem mais justa . Adornos de cabeça: toucas feitas de veludo, tecidos de algodão e seda; chapéus rijos com abas largas.  Sobreveste chamada de cyclas com abertura lateral.

Vestuário Masculino (Século XIII ): O casaco  (precursor do gibão) , chamado de le pourpoint ou gipon, passou a ser cada vez mais curto e justo até  se transformar em um traje apenas da parte superior do corpo.  A parte frontal era parcial ou inteiramente aberta, fechada com colchetes. As mangas variavam de muito compridas e largas a inexistentes. Eram feitas de acordo com a abertura da cava e com corte acompanhando os moldes modernos de curvatura . A Túnica teve o acréscimo de um capuz para cobrir a cabeça do frio e da chuva; esta passou a ser mais justa e curta.  Os sapatos também tiveram uma grande mudança em aspecto de ornamentos e feitios. As botas passaram a ser até os tornozelos, os sapatos de salto baixo e ajustados no peito do pé por cadarços, lapelas fechadas com colchetes foram principais aspectos e pontas bastante longas (la poulaine). Os cabelos passaram a ser curtos e a barba entra em moda, geralmente pontuda. O Capuz passa a ser fino, mais ou menos pontudo, cortado junto com o restante do casaco. Nessa  época há o surgimento dos sobretudos – mais folgados e mais curtos do que o  casaco comum. Eram bem mais largos e com mangas bem compridas, com aberturas laterais para facilitar o movimento dos braços . Tinham capuz de variados tamanhos.

Meados do século XIV : O Casaco- gipon passou a ser chamado de gibão e  ganhou um acolchoamento na parte da frente para realçar o peito e tornou-se bem mais curto. Era bastante apertado e abotoado na frente, usado com cinto sobre os quadris.Entra em uso – pelas classes superiores, o côte-hardie – sobretunica das épocas anteriores, decotada, justa e abotoada na frente. A borda possuía os mais variados recortes e modelos, as mangas  eram justas até os cotovelos e ampliavam-se após este ponto até chegarem um pouco abaixo da altura dos joelhos. A versão das classes mais baixas era larga e vestia-se pela cabeça. As meias passaram a ser longas e suas partes unidas, formando então o conceito de calças, pois cobriam não somente as pernas mas a parte inferior do tronco. Eram fechadas na parte de cima e feitas de lã , linho ou seda das cores mais vivas que pudessem ser obtidas. Era comum ter cada perna de cor diferente – costume de cavaleiros e milícias citadinas,  que dessa forma, podiam usar as cores de seus brasões . As Capas tornaram-se curtas até no máximo os quadris. Usavam ainda um tipo de gorro semelhante a um capuz (chapel), com a ponta virada para fora ( le capuchon), um capuz por baixo ou por cima do gorro ou sozinho.

 

Vestuário Feminino (A partir do seculo XIII): Aconteceram grandes alterações no vestuário feminino. As roupas tornaram-se mais decotadas e o casaco foi substituído por uma simples manta, sem mangas. As túnicas eram bem justas abaixo do busto e aumentando de volume abaixo dos quadris com uso de faixas na cintura. As mangas eram largas na parte superior próximo ao ombro e tão justas nos punhos que era abotoadas. Nas sobrevestes era comum o uso de sobre mangas de punhos muito largos por cima das mangas estreitas. Era comum as roupas de uma só cor, e as das criadas serem em cores diferentes, em geral, a cor da roupa seguia a cor do brasão da família – no final do século XIII, as damas da nobreza passaram a adotar como moda o uso da cor dos brasões ou bordados destas armadas em suas vestes. Nos cabelos, o uso do véu deu lugar aos penteados mais variados e passou a ser um adorno, uma “moldura” para o rosto. Surgiu o crepine – uma rede para cabelos , muito usada com tranças verticais de cada lado do rosto.

Final do século XIV: No final do século o traje feminino divide-se em duas partes: um corpete e uma saia – cada um de uma cor. A saia era franzida e costurada no corpete da sobreveste – a côte-hardie – mais justa ao redor do ombro e as mangas possuíam fitas ou adornos  que podiam chegar ao chão. Havia ainda a sobretúnica surcoat, veste sem lados,que muitas vezes eram ajustados por fitas dando um ar de corpete. Os cinto ainda eram usados, mas passaram a servir como ornamento, não para segurar a vestimenta. Os decotes abaixaram e as mangas encurtaram e se ajustaram, sendo abotoadas do cotovelo ao punho.  Os trajes então ficaram mais justos, fechados por cordões ou abotoados nos lados. A peça inferior tinha cauda, e havia uma vasta variedade de sobrevestes,  com mangas até o cotovelo no máximo. Havia também no fim do século XIV o uso de adornos de cabeça acolchoados, uma espécie de rolo usado sobre a rede de cabelos. Os cabelos eram enrolados e presos acima das orelhas em pequenos coques-temporais.

 

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Marina
    set 27, 2011 @ 15:44:01

    Já pensou em pegar um ônibus com uma dessas roupas? E ainda por cima atrasada, correndo…kkkkk!!!
    Ficou ótima a sua pesquisa, mas a moda acompanha as mudanças do mundo, ainda bem!😀

    Responder

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 66 outros seguidores

Blogs que sigo

Buenos Aires Para Todos

Crônicas da Reina del Plata

Jirka's Blog

my academic blog for my graphic design course at the Arts University College at Bournemouth 2009-2012. © Jirka Väätäinen www.jirkavinse.com

polishyoupretty

Just another WordPress.com site

The Life Styled

Where life and fashion go hand in hand.

%d blogueiros gostam disto: